sábado, 14 de outubro de 2017

Um pouco de mim...

 
Nasci numa bela tarde de Sol em Moçambique África, corria o ano de 1967.
Desde criança me habituei a ouvir poesia, música e teatro, quer radiofónico quer no palco, ou não fossem meus pais funcionários do antigo Rádio Clube de Moçambique e activos participantes da vida social daquela época, vivi paredes meias com este maravilhoso ambiente, onde se escutava de tudo um pouco, até mesmo em casa, pois muitas vezes era em casa que tudo começava, com a preparação de programas e outras mais. Por isso desde cedo me foi incutida a sensibilidade para saber escutar e somente falar quando bem aprendida a lição. Foram anos de grandes emoções e alegrias.
Hoje, e passados tantos anos após ter saído de Moçambique devido à guerra continuo a viver completamente apaixonado por tudo que diga respeito à arte em si. Como sou tímido cedo também aprendi a escrever o que sentia, muitas das vezes acabava por jogar no lixo, até que à relativamente pouco anos atrás resolvi começar a guardar e a publicar o que escrevia.
Aprendi a amar e a respeitar tudo e todos, desde cedo que meus pais me ensinaram que é na diferença e na simplicidade que está a beleza.
Agora, com meio século feitos, sinto-me só, perdido, abandonado, sem ninguém, eu..., logo eu que sempre me doei a todos sempre, tanto que doei, e tanto que meus pais me avisaram, cuidado com esse teu jeito de ser, mas eu nunca soube ser de outra forma, hoje estou só...
 
 
Álvaro Gonçalves Correia de Lemos


sexta-feira, 13 de outubro de 2017

"A coisa mais louca..."

A coisa mais louca que
Eu fiz,
Foi pensar que existiria
Alguém neste mundo louco,
Que existiria alguém para mim.
 
Eu que tenho a necessidade
De estar apaixonado,
Mas nada justfica a minha
Perda nesta vida,
Eu sei que preciso estar
Enamorado. 

Eu sei que peço perfeição,
Perfeição...,
Algo que nem eu nem eu tenho,
Sou louco por pedir algo que nunca terei,
Louco por pensar que alguma vez
Encontrarei... 

Esta tem sido a minha maior loucura,
O meu maior erro,
A minha loucura,
Eu tenho essa necessidade
De estar apaixonado,
De estar enamorado,
Mas sou louco por pensar que
Alguma vez isso acontecerá. 

Quantas vezes fiquei acordado até tarde,
Quantas vezes não dormi,
Tudo por uma loucura.
Sei agora,
Que perdi meu tempo. 

Mas que posso eu fazer?
Se meu coração,
Continua pensando da mesma
Forma errada.
Tudo porque preciso continuar
A acreditar que existe
Alguém neste mundo de loucos,
Alguém para mim. 

Mas nada vem de graça,
O preço tem sido demasiado alto,
Eu sei que peço algo,
Algo que não encontrarei ninguém.
Um bolso cheio de boas intenções
E de ilusões.
Uma alma sedenta de amor,
Um coração perdido. 

Eu sei que preciso estar
Apaixonado sempre,
Louco que eu sou,
Por pensar que será isso
Acontecerá.


Álvaro Gonçalves Correia de Lemos

domingo, 13 de agosto de 2017

Saudades de mim (2)

Saudades da vida,
Saudades do Luar,
Sim, saudades de quando
a criança que em mim vivia
se sentia criança,
Saudades de sorrir,
Saudades de viver,
Saudades de mim,
perdido algures no tempo.
Saudades de ser criança,
Saudades de te ver,
Saudades de te sentir,
Saudades de brincar descalço
na terra que me viu nascer e
que eu pensei que um dia
me receberia em seu regaço
para o sono eterno.
Saudades de ser quem um dia fui,
Saudades da inocência perdida,
Saudades de ser amado,
Saudades de sentir o amor,
Saudades...
Perdeu-se em mim o
único ser que tinha
interessa nesta vida e
temo que não voltará mais.
Sim, sinto loucamente saudades
de mim, perdi-me... e não me
encontro e temo não voltar
a reencontrar-me antes de partir.
Saudades de mim...


Alvaro Gonçalves Correia de Lemos


(reposição de um poema autobiográfico) 

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Se eu me afastar...

"..., se aproxime. Se eu mandar você ir, por favor, fique. Se eu tiver medo, me abrace. Se eu estiver bravo, sorria."


Clarice Lispector

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Estórias da minha história...

 


 
Nasci à quase 50 anos, tive uma infância meio conturbada devido a problemas de saúde, mas nada que me impedisse de ir para a escolinha, aprender a nadar desde bebé, algo pela qual me apaixonei logo que comecei a aprender, também tive uma professora de natação impecável, muito querida e muito atenciosa, que nos tratava como se de filhos fossemos, aos 3 anos já nadava feito um peixinho (palavras desta encantadora professora aos meus pais e não só), continuei sempre na natação até aos 6 anos e meio quando a guerra estalou e eu e meus pais fugidos com apenas com a roupa do corpo e uma mala feita à pressa (aquelas chamadas de malas de cartão, que pareciam um pequeno armário e mais nada), se não tivesse sido uma de minhas tias maternas, naquela altura teríamos tido um destino muito mau, sem nada para sobrevivermos, como tantos que também fugiram.
Naquela altura não me apercebi de nada, era pequeno demais e meus pais tentaram poupar-me de algumas coisas, embora soubessem que algum dia, em breve teriam de me contar, foi por esse motivo que com a ajuda de amigos e familiares e a venda de algumas joias que minha mãe havia conseguido salvar escondidas junto ao seu corpo, debaixo da roupa larga que muitas vezes gostava de usar, que conseguirem algum dinheiro para irmos passar alguns dias, creio que uma semana ao Algarve, num pequeno apartamentougado, era setembro, mês de meu aniversário, e foi aí que eu que por natureza já era desconfiado (tal como meu pai sempre dizia), que depois de tanto falar e chatear consegui que me dissessem, porque naquele ano, eu ia passar os meus anos, naquele sitio, é que era habitual, sempre que vínhamos a Portugal continental eu passava os meus anos junto com minhas tias, tio e primos.
Foi aí que o meu mundo caiu, nunca mais voltei a ser o mesmo. Mas o tempo foi passando e eu crescendo, sempre me sentindo diferente de tudo e de todos, como se não pertencesse a este “mundo”, entretanto nasceu minha irmã, tinha eu 7 anos e meio, era linda, parecia uma bonequinha, tão rechonchudinha, tão fofinha, minha vida alegrou um pouco, mas como nada…, seja bom ou mau dura para sempre, o bom acabou, e tivemos de deixar onde morávamos há cerca de dois anos e fomos viver para os Açores, mais precisamente para a ilha de São Miguel, e foi aí que meu mundo começou a desmoronar mais do que ele já havia estado, ao fim de 22 anos de casados quase 23, meu pai arranjou outra pessoa, minha mãe deu-lhe a escolher, ela, ou a outra, ele não escolheu, e minha mãe fez a escolha, pô-lo com “dono”, nessa altura a minha mãe estava desempregada, tinha dois filhos para criar, um deles com problemas de saúde, que tinha de viajar de 3 em 3 meses a Lisboa para fazer tratamentos, conforme o tempo foi passando minha mãe arranjou emprego, graças a Deus, e o filho com problemas de saúde deixava de ter de ir de 3 em 3, e passou a ir de 6 em 6 meses a Lisboa, depois passou a ser de ano a ano, ele (filho) melhorava, muitas das vezes mentia e dizia que nada se havia passado, não querendo preocupar nem a mãe e muito menos a irmã pequena. Mas conseguiu melhorar aos poucos.
Mas a vida parece que não gosta que tudo esteja bem, tem sempre de haver algo que tem de estar mal e ele piorou bastante, teve de viajar para África do Sul em tratamento, pois lá ele tinha os padrinhos que o receberiam e cuidariam dele enquanto ele lá estivesse.
Com a graça de Deus regressou ao fim de alguns meses bastante melhor, mas teria de ser vigiado e fazer sempre exames médicos, exames esses que só se faziam em Lisboa, e claro, a mãe sempre fazia de tudo para que esse filho tivesse bem, recorria à Segurança Social que na altura, tal como hoje pouco ou nada ajudava, a sorte é que ela tinha as irmãs em Lisboa que a ajudavam, e foi assim durante anos.
Ele não ficou curado, nem por sombras, mas atualmente consegue levar uma vida normalíssima como qualquer outra pessoa.
Os anos passaram, ele foi viver em Lisboa, onde trabalhou e conseguiu voltar a sorrir, mas …
Voltou desempregado mas para tirar um curso com a “famosa” promessa de que após o curso entrava no mundo do trabalho, mentira, ficou desempregado, mas ele não parou, não era seu feitio e ao fim de uns tempos conseguiu trabalho.
Os anos foram passando…
A irmã que ele adorava casou, e todos pareciam finalmente uma família muito feliz, nasceu o primeiro filho ao fim de alguns anitos, depois o segundo e mais tarde o terceiro… e já essa “família” não era mais uma família, a mãe ajudou várias vezes a filha e o genro, e até os netos, o irmão fez o mesmo, mas tudo ficou no esquecimento….
Hoje a irmã, quase que o odeia, não liga a mínima importância à sua mãe, mas sabe criticar a forma como o irmão toma conta da mãe, com Alzheimer, com diabetes, problemas de coração, osteoporose e uma outra quantidade de problemas de saúde, acusando-o, e citando-a: “fazes tudo à tua maneira”, “a mãe não tem Alzheimer, tu é que inventas-te tudo isso” (de salientar que ela é professora primária e o marido que também concorda com ela é enfermeiro), “claro que não visito a mãe para manter a minha sanidade mental” e outras tantas que nem vale continuar.
O que conto aqui, são pedacinhos de vários pedacinhos de quase 50 anos de vida, são desabafos de um velho, que já começou perdendo a esperança de viver, de encontrar alguém com quem dividir e compartilhar a vida, bons e maus momentos, que já começou perdendo o interesse na vida, isto é, se alguma vez eu vivi, ou apenas sobrevivi em meio a uma selva urbana e desumana como é esta em que muitos conseguem e outros tantos caiem no mais fundo dos poços.
E é esta uma pequenininha parte dos quase 50 anos de “vida” da qual jamais irei esquecer...
Quem sabe não regresse para falar um pouco mais…. e até mais detalhadamente.
 
 
Alvaro Gonçalves Correia de Lemos
 

sábado, 13 de maio de 2017

Há dias que sinto meu corpo e minha alma...

"...cansada.
Logo então... sinto uma leve suave brisa tocar-me o rosto.
Penso ser Deus, me alimentando a alma e me trazendo calma..."
 
Camila Senna

sábado, 6 de maio de 2017

...Eu sou lúcido na minha loucura,...

 
“...permanente na minha inconstância, inquieto na minha comodidade... Amo mais do que posso e, por medo, sempre menos do que sou capaz... Quando me entrego, me atiro e quando recuo não volto mais.”
 
Martha Medeiros

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Morreu...

Há poucos meses atrás correu o rumor que eu havia morrido, porquê?, não soube até à pouco, só sei agora que foi pena não ter sido verdade.
 
Álvaro Gonçalves Correia de Lemos

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Não sei ser contido,

"...discreto.
Brigo em voz alta, rio em voz alta, sinto em voz alta.
Sou feito de barulho e de verdade.
Murmúrio não faz parte de mim e quem não gostar, que tape os ouvidos."

Renata Fagundes
 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Ele não passa de...


...um velho, careca e sabe-se lá mais o quê..., por detrás daquela máscara que ele se veste diariamente, encontra-se um ser que nunca soube viver sem ser com o coração.
Ele escuta música, vê vídeos de filmes românticos, tipo My Best Friends Wedding, última cena entre Julia Roberts e Rupert Everet, ele não sabe viver (talvez nunca tenha sabido mesmo), cuida de uma mãe doente, deixa que a sua irmã, seu cunhado e outros que tal o culpem de tudo, inclusive de ter inventado que a mãe sofre de uma doença grave e degenerativa, mesmo tendo todos os relatórios médicos de sua mãe comprovando que a senhora tem essa maldita doença.
Ele deixa-se pisar pelos outros, tem medo de perder o emprego, pois na atualidade todo o cuidado é pouco (embora em tempos idos e já quase esquecidos, ele soube aventurar-se e talvez viver, ou não????), perdeu aquela força que em tempos teve, ele não vive mais, ele sobrevive para..., para quê?, nem ele sabe.
Sabe que se encontra com uma profunda depressão, quer física, quer psicológica, sente que o seu fim está próximo, e vive esperando “um milagre” de um dia voltar à vida, encontrar um amor verdadeiro, de ser feliz, mas no fundo sabe que seu tempo se está a acabar e que nada disso se vai tornar realidade, mas finge para si mesmo que sim, afinal, ele nada mais tem do que se agarrar a sonhos impossíveis de se realizarem.
Ele já não sabe quem é sequer e porque está ainda vivo, mas...pensando melhor, será que ele alguma vez ele soube alguma coisa?
Ele parou no tempo... ou será que ele alguma vez viveu... e em que tempo?
Resumindo: ele não passa de uma farsa de si mesmo.
 

Álvaro Gonçalves Correia de Lemos

 
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